Bom, produzi o texto abaixo em
novembro de 2008. Cheguei em casa após o trabalho – um pouco depois das 18h –,
reuni diversos nomes de músicas da Fresno e comecei a escrever o texto, me
utilizando deles. Até postei na comunidade oficial da banda no Orkut, e, para a
minha felicidade, o tópico rendeu cento e poucos comentários. =)
Na época, tive de fazer algumas
adaptações, pois a pessoa dos nomes de algumas músicas varia um pouco entre
“tu” e “você”, e nesse sentido, em algumas situações, o texto não segue uma coerência,
há certas discordâncias. No mais, as palavras em negrito são os nomes das
músicas. Segue.
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O que sobrou
O que sobrou
Sabe, às vezes me pego me lembrando da minha infância. Da nossa infância. Crescemos juntos… se lembra do quanto eu gostava de você? Confesso que pode ter sido pelo fato de termos sido vizinhos, mas você não pode se dar ao orgulho de não admitir que havia um laço que nos prendia. Mas… onde está esse laço? O que sobrou dele?
Ah!, que mundo injusto… Viver minha infância
com você e olhar diariamente teu
semblante, ora feliz, ora triste, e descobrir apenas anos depois que
ele me era especial… Que, de fato, havia algo atrás dos olhos teus que me encantava… E eu sempre me fazia a
mesma pergunta: “Será que sinto
algo diferente por ela?”. E chegava à – errada – conclusão, era sempre
aquela velha história do orgulho em admitir: “A resposta é não”.
Mas, num certo dia, vi você
partir. Sem me avisar ou se despedir. Tive de assistir da janela do meu quarto
a você ir embora. Tentei não chorar, mas não consegui, e digo-lhe que as únicas
duas lágrimas que caíram, uma de
cada olho, não foram suficientes para demonstrar o que estava sentindo; era um
misto de tristeza e revolta diante das impossibilidades
de fazer aquilo ter um fim diferente. Queria que aquela cena fosse um sonho;
por mim, que fosse até um pesadelo, de um sono profundo do qual nunca desejaria acordar.
Logo
você… Não sei se já passou por isso, mas sabe o que é
sentir o peso do mundo
inteirinho sobre suas costas? Sabe o que é ver todos os seus planos e promessas, desejos, sonhos,
enfim, sabe o que é ver tudo isso evaporar
em um piscar de olhos? E as verdades
que tanto guardei durante aquele tempo todo não passaram mesmo de meras,
estúpidas e inúteis frases engasgadas,
em uma garganta que insistia, inutilmente, em não engolir aquilo tudo.
Espero que, nesse presente que
vivemos, você tenha ao seu lado alguém
que te faz sorrir. Com o passar dos anos, muita coisa mudou em meus
sentimentos. Desde já afirmo que
aquela experiência me fez
crescer como pessoa e aprender muita coisa. Saiba que o que hoje você vê aqui é reflexo daquela época.
Se essa carta chegar a você, saiba que, sim, às vezes me faço uns
questionamentos, mas que todas as minhas respostas começam com “o que sentia
por ela está morto e enterrado a 7
palmos do chão”. E, assim, as dúvidas param ali.
Hoje, estou feliz sozinho e não quero lembrar esse passado. O que direi a seguir não era
o que eu queria, não era o que eu desejava, mas, infelizmente, cheguei à triste
conclusão de que o amor não vale absolutamente
nada.
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