Tempo.
Ah, o tempo… Talvez controlá-lo seja a única situação que de fato não podemos
fazer em nossa vida. Tente parar o seu relógio ou voltar algumas horas nele.
Você conseguirá. Mas o tempo maior, aquele regido mundialmente, não vai parar.
E você será obrigado a se portar dentro do tempo dos outros, não no seu, mesmo
que você insista em deixar que seu relógio marque 16h quando, na verdade, o
mundo ao seu redor marca 18h.
E,
na tentativa de ser diferente do resto do mundo, talvez você tenha atrasado
duas horas na sua vida. Você precisará recuperar estes 120 minutos para voltar
a ser igual a todas as pessoas, para voltar a andar dentro dos padrões regidos
pela sociedade, e, se você se considera realmente diferenciado em relação aos
outros, além de ter o trabalho de recuperar estas duas horas, terá de se
esforçar muito mais para estar à frente dos demais – não no relógio, mas em
produtividade resultante daquilo que você se julga capaz de fazer.
Mas,
se formos analisar bem, o tempo dentro do qual andamos, o tempo ao qual nos
moldamos, o tempo ao qual nos submetemos, ele não passa de algo convencionado
pela humanidade. As 24 horas de um dia são as aproximadas 24 horas da rotação
da Terra, sim, e isto é estabelecido há muito tempo e não há como mudar. Mas
quem teve o poder de estabelecer, há muitos anos, que uma hora equivale a 60
minutos, que 60 minutos são 3.600 segundos e que um dia, afinal, tem 86.400
segundos?
No
fim, o tempo não mudará e dificilmente virá a conspirar a nosso favor. Ele corre,
corre – e nós corremos atrás dele. Admito que prefiro o uso de tempo que faço
hoje a usar este tempo a favor do ócio, a favor do nada, a favor do pleno vazio
em minha vida. Mas gostaria de poder passar mais tempo com minha família, com
meus amigos, com aqueles que moram longe, com minha namorada e com as pessoas
que a cercam, com a cachorrinha daqui de casa, a Molly… Gostaria de poder chegar à minha casa num dia e me
esparramar na minha cama, sem o compromisso assumido de me acordar submetido ao
tal tempo.
Depois,
ao refletir a respeito, descubro que na maioria das vezes não é possível
executar estes meus planos – “na próxima vou conseguir”, “na próxima vou
conseguir”, e nada. Mas me conforta saber que isto não acontece apenas comigo,
e me conforta, ainda mais, saber que isto não é possível justamente porque as
pessoas que tenho na minha vida estão fazendo o mesmo esforço para se
desvencilhar disso tudo. E, no fim das contas, o tempo que sobra a elas pode se
aliar ao tempo que sobra para mim: aí, unimos nossos tempos e aproveitamos cada
segundo – sim, aqueles mesmos segundos estabelecidos pela humanidade.

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